O pioneirismo brasileiro na prevenção a fraudes: o que ensinamos ao mundo
O Brasil se consolidou como um dos mercados mais avançados do mundo em meios de pagamento digitais. No entanto, o nosso verdadeiro protagonismo não está apenas na escala ou na velocidade de adoção tecnológica, mas na nossa capacidade de lidar com o maior desafio da economia digital: a fraude.
Em um ambiente em que a instantaneidade se tornou a regra, o país opera em uma fronteira crítica. Cada avanço na experiência do usuário exige um salto proporcional em cibersegurança. E é exatamente nessa tensão que o mercado brasileiro tem se destacado como um laboratório global.
A fraude deixou de ser pontual e oportunista. Hoje, é uma indústria estruturada e escalável. O uso de inteligência artificial por agentes maliciosos já é rotina. Segundo levantamentos do setor, golpes virtuais cresceram mais de 400% nos últimos seis anos, registrando quatro golpes por minuto no Brasil*. Consequentemente, ataques automatizados e golpes de engenharia social estão cada vez mais sofisticados.
Diante desse cenário, o modelo tradicional de combate à fraude (focado apenas na análise posterior à transação) tornou-se insuficiente. A nova lógica exige antecipação e decisão em milissegundos.
Nesse novo contexto, o investimento maciço em tecnologia preditiva passou a ser inegociável para a indústria. Quando olhamos para o ecossistema de redes globais, a inteligência artificial já é a espinha dorsal da análise de risco há décadas. Na Visa, por exemplo, observamos na prática o impacto de investir mais de US$ 13 bilhões globalmente em segurança nos últimos cinco anos.
O retorno desse tipo de infraestrutura evidencia o nível de sofisticação que o mercado alcançou:
A revolução das infraestruturas em tempo real reduziu drasticamente as janelas de análise. O desafio central de todo o setor deixou de ser apenas detectar a fraude para focar em atuar na sua mitigação antes da liquidação. Isso exige o cruzamento de dados de diferentes instituições para identificar ataques de enumeração e ajudar a bloquear credenciais comprometidas antes que sejam exploradas em larga escala.
O avanço mais fascinante dessa evolução é provar que segurança e experiência não são objetivos conflitantes. O uso de sinais contextuais nas transações tem permitido aumentar as taxas de aprovação em até nove pontos percentuais, ao mesmo tempo em que auxilia na redução dos índices de fraude. Quando bem executada, a segurança se torna invisível. O usuário final não percebe os milhares de cálculos por trás de uma compra aprovada em um segundo, mas é essa confiança silenciosa que sustenta todo o ecossistema.
Se o Brasil já é referência na criação de novos métodos de pagamento, o próximo ciclo será definido pela capacidade de escalar essas inovações. Tecnologias como IA generativa e biometria irão transformar o setor, mas também poderão ampliar a superfície de ataque.
A experiência brasileira já nos ensinou três lições valiosas para o futuro: não existe inovação sustentável sem segurança; não existe segurança eficaz sem inteligência, escala e, acima de tudo, colaboração em rede; e, por fim, a confiança não é um subproduto da tecnologia, mas sim sua base.
Você também pode estar interessado
Visa Token Service