Pesquisa da Visa analisa nova dinâmica no turismo com viajantes solo
O setor de turismo é um pilar importante da economia mundial e é a maior fonte de renda para muitas cidades e pessoas, o que exige investimento no desenvolvimento de produtos e estratégias de vendas direcionados pelas empresas do ramo. Tradicionalmente vinculado ao consumo coletivo, esse mercado vive uma transformação com o aumento do número de viajantes solo. É o que mostra o relatório Global Travel Insight, da Visa, empresa líder em pagamentos digitais no mundo.
De acordo com a pesquisa, está acontecendo um aumento do número de famílias unipessoais (compostas por uma só pessoa), gerando demanda por novas dinâmicas no universo das viagens. Os dados apontam que até 2030, é esperado um aumento por volta de 35% neste modo de vida, atingindo a marca de 580 milhões de pessoas no mundo. Logo, a tendência é que as viagens solo se tornem ainda mais comuns.
O estudo da Visa ainda identificou um aumento da proporção de domicílios unipessoais no Brasil em todas as faixas etárias, na década entre 2000 e 2010. De acordo com um dado divulgado pelo IBGE em versão da Pnad Contínua do ano passado, 11,8 milhões de pessoas (quase 16% da população brasileira) moram sozinhas.
Vice-presidente da Visa Consulting & Analytics, Tiago Moherdaui afirma que, embora a população mundial esteja envelhecendo, os agregados familiares unipessoais têm aumentado constantemente entre consumidores de todas as idades em variados países, como o Brasil. “A sociedade está cada vez mais aberta a novos arranjos sociais e isso implica uma maior aceitação em se viver e se divertir sozinho. Isso gera oportunidades para inovação de produtos e soluções por parte das empresas do setor turístico”, analisa.
O levantamento da Visa ainda apontou o Rio de Janeiro como quarto destino mais procurado por viajantes solo nas Américas, sendo a única cidade brasileira a figurar no ranking, que conta com cidades como Lima (Peru), Medellín (Colômbia) e Tijuana (México).
Moherdaui reforça que as empresas interessadas em abraçar essa parcela de consumidores devem ter em mente o estilo flexível e aventureiro dos viajantes solo ao escolherem destinos. “Eles priorizam o valor cultural e a diversidade das experiências vivenciadas em detrimento do conforto e do luxo. Embora prefiram viver sozinhos, esse consumidor gosta de socializar durante suas viagens e esse aspecto desempenha um papel importante na escolha de destinos”, afirma.
Serviços de pagamentos digitais devem se adaptar à nova tendência
Viagens e serviços financeiros e de pagamentos - principalmente os digitais - estão intimamente ligados, já que é preciso realizar pagamentos online de passagens, reservas de hotéis, aluguel de carros, além de outras despesas. Nessa esteira, o relatório da Visa revelou que, para viajantes solo, os principais diferenciais são as recompensas e a conveniência, com destaque para programas de fidelidade e cartões co-branded.
A empresa desenvolveu recentemente a solução Jornada do Viajante, que utiliza machine learning e tecnologias de geolocalização para monitorar os ciclos de viagem dos consumidores ,para mapear a experiência com todas as soluções da companhia, identificar padrões, prever tendências e, assim, personalizar suas ofertas.
“A indústria financeira deve investir em soluções inovadoras e acessíveis, especialmente para pagamentos internacionais. Carteiras digitais para pagar com o celular e realizar transferências em tempo real, ambas alinhadas à cibersegurança, devem nortear essa guinada. Já a indústria de turismo deverá se ajustar a esse crescente perfil de consumidor sem deixar de lado os perfis mais alinhados às viagens tradicionais e buscando desenvolver tecnologias inovadoras”, finaliza o executivo.