“Pequenos passos que me levaram à Maratona Olímpica de Paris”

Quanto tempo leva para conquistar um grande sonho? Minha história com a maratona começou há 20 anos, quando um amigo me ofereceu uma inscrição para uma prova de rua de 6km da qual ele não conseguiria participar. Eu corria esporadicamente, sem muita organização, mas aceitei o desafio, munido apenas de um tênis impróprio para corrida e coragem. E foi aí que o famoso “bichinho da corrida” me picou. Cheguei em casa falando para os meus pais que um dia, ainda correria a tão sonhada maratona.

De lá para cá, fiz diversas provas de rua de 10 e 15 km. Mas, duas décadas se passaram, e eu ainda não tinha tido a oportunidade de enfrentar os 42 km. Essa chance bateu na minha porta no final de 2023, e não foi qualquer chance: a Visa, empresa onde eu trabalho, lançou um concurso interno para participar da “Marathon Pour Tous”, prova para corredores amadores que aconteceria durante os Jogos Olímpicos de Paris 2024.

Passando por um momento desafiador na minha vida pessoal, não pensei duas vezes, essa seria a minha chance de focar em um sonho antigo e usá-lo como forma de superação. Escrevi sobre a presença do esporte na minha vida, da vontade de participar de uma maratona, e pela minha busca por algo que me ajudasse a colocar a cabeça de volta no lugar. Quando recebi a notícia da seleção em novembro, soube que esse era só o primeiro e o mais fácil passo da realização desse sonho. Ali mesmo, dei início a uma jornada intensa e transformadora de preparação para a minha primeira maratona.

É curioso como o destino funciona. Recentemente, a Visa lançou um novo posicionamento de marca onde fala da força dos pequenos passos para conquistarmos nossos objetivos. E eu senti isso na pele. Foram meses de preparo, muita dedicação, muito treino sob sol e chuva, algumas lesões. Resumindo: uma maratona é feita de 42km, e para concluir cada quilômetro, é preciso dar pequenos e constantes passos, que, em sua maioria, são feitos fora dos holofotes do dia a dia da corrida.

Embarquei para Paris no dia 8 de agosto, com meu sonho e a torcida dos meus amigos, colegas e familiares (em especial, meus pais e meus filhos, os meus maiores incentivadores) na bagagem. Foi a minha primeira vez em Paris. Quando cheguei, os jogos já estavam na reta final. Mesmo assim, foi impossível não ser impactado com a forma como aquela cidade respirava Olimpíadas.

Tive a chance de assistir a algumas competições, mas foi vivenciando a Marathon Pour Tous 2024 que pude ter a verdadeira dimensão desse evento que envolveu toda a cidade. As ruas absolutamente lotadas em todos os quilômetros, mesmo tarde da noite. Foi uma experiência inesquecível sentir a energia das pessoas incentivando os corredores durante todo o trajeto. Certamente essa será uma memória muito emblemática, que guardarei para o resto da vida.

Sabia que seria uma prova dura, com uma altimetria desafiadora, então fui sem grandes expectativas de tempo, o objetivo era cruzar a linha de chegada. Finalizei com um tempo bom por ser a minha primeira maratona, sem grandes intercorrências, o que já foi emocionante por si só. Não sou de chorar, mas, quando passei pelo pórtico final, desabei. Lembrei de todos os passos que me levaram até ali e das pessoas queridas que estiveram ao meu lado em cada um deles. Depois de tanto treino e tanta dedicação, essa conquista me deixou extremamente feliz e com a sensação de realização de um sonho que está apenas começando.

Me considero muito afortunado. A vida me colocou alguns obstáculos, mas foram eles que me impulsionaram e me colocaram em um bom caminho, que me fez priorizar minha saúde física e mental e me ajudou a ser uma pessoa, um amigo, um profissional e um pai melhor. Agradeço muito à Visa pela oportunidade e por todo o suporte oferecido. Ter participado da maratona como único colaborador do escritório do Brasil foi algo transformador.

Nunca imaginei que o empurrão que faltava para a realização de um sonho tão pessoal viria justamente da empresa em que trabalho. Acho que essa é a importância de buscar trabalhar em lugares cujos propósitos e valores se alinhem aos seus. Dessa colaboração podem sair coisas mágicas. O significado daqueles 42 quilômetros percorridos em uma das cidades mais lindas do mundo foi um divisor de águas e me fez refletir muito sobre cada aspecto da minha vida, inclusive o profissional.

É preciso resiliência e entender – e aceitar - de que haverá dias muito bons e outros nem tanto, e que é necessário se movimentar para achar as soluções. Tudo isso faz parte de qualquer ciclo, seja pessoal ou profissional. São experiências assim que nos fazem acreditar na força dos pequenos passos e o quanto eles são essenciais para alcançarmos nossos objetivos, sejam eles os próximos 42km, ou os próximos sonhos.