A nova fronteira das relações de consumo: a Era do Comércio Agêntico
Vivemos um momento em que a Inteligência Artificial está deixando de ser só uma interface de consulta para se tornar executora de tarefas complexas. No varejo, essa evolução atende pelo nome de Comércio Agêntico: um cenário em que agentes de IA (sistemas inteligentes capazes de agir em nome do usuário, com base em suas preferências e comandos) passam a orquestrar toda a jornada de consumo, da busca e comparação de preços à finalização autônoma da compra.
Essa transformação encontra no Brasil um solo fértil. Somos um país aberto à inovação, com alta capacidade de adoção digital e rápida incorporação de novas tecnologias ao cotidiano. Não por acaso, os brasileiros lideram o otimismo global em relação à IA aplicada ao consumo. Segundo nosso estudo “Agentic Commerce Payment Stage Research”, 76% dos brasileiros demonstram interesse em compras mediadas por IA, o maior índice entre os mercados avaliados. O país também se destaca na intenção de uso frequente, com projeções superiores à média global.
Recentemente, lideramos um marco histórico na América Latina e no Caribe ao realizar a primeira transação agêntica em ambiente de produção da região. Esse avanço pioneiro para o setor de pagamentos demonstrou, na prática, como um agente de IA pode efetuar transações utilizando inovações como tokenização e autenticação integrada. Todo o processo foi suportado por uma infraestrutura global, comprovando que a tecnologia já está pronta para transformar a jornada de consumo com o mesmo rigor de segurança de uma compra presencial.
Em um ano simbólico, em que celebramos os 30 anos do e-commerce no Brasil, esse avanço representa mais um capítulo da transformação do varejo. Se nas últimas décadas aprendemos a comprar pela internet, agora começamos a delegar parte dessa jornada a sistemas inteligentes, capazes de executar tarefas com agilidade, personalização e eficiência.
Para que essa inovação ganhe escala, a confiança deve permanecer no centro de tudo. O consumidor exige transparência no checkout, clareza sobre a reputação do lojista e mecanismos robustos de proteção. No caso da Visa, mais de US$ 13 bilhões foram investidos na última década em tecnologia e infraestrutura de dados para bloquear fraudes de forma proativa e mitigar riscos em tempo real, muitas vezes antes mesmo da transação acontecer.
O Comércio Agêntico inaugura um novo modelo de relação entre marcas e pessoas. Ao integrarmos segurança, inteligência, interoperabilidade e governança, transformamos a complexidade dos bastidores em experiências simples, fluidas e quase invisíveis. Estamos diante de uma nova era do consumo, em que olharemos para trás e perguntaremos como fazíamos antes. A inteligência mediará cada vez mais nossas escolhas, sempre sob protagonismo humano, ampliando possibilidades e redefinindo a forma como vivemos, compramos e nos relacionamos.
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